PM preso por morte de líder comunitária falou de propina com a vítima dias antes do crime

PM preso por morte de líder comunitária falou de propina com a vítima dias antes do crime

Três dias antes da morte da líder comunitária Glória Maria dos Santos Miccas, de 46 anos, em dezembro de 2016, a vítima encontrou-se com o policial Nilton Carlos José Costa Junior, preso nesta terça-feira pela Divisão de Homicídios (DH) por ligação com o crime. As investigações apontam que a mulher e o cabo, lotado à época no 16º BPM (Olaria), teriam falado sobre a possibilidade de pagamento de propina por traficantes da maior facção criminosa do Rio — expulsos nas semanas anteriores da Cidade Alta, em Cordovil, por uma quadrilha adversária — a agentes do batalhão.

A execução aconteceu no plantão seguinte do PM, horas depois de Glória participar de uma reunião no conselho comunitário da região, com a presença de policiais. No evento, ela teria denunciado um acerto já existente entre agentes do 16º BPM e o bando rival àquele no qual a líder comunitária era “pessoa atuante”, de acordo com a DH. O caso foi revelado pelo EXTRA há cerca de um mês.

Ainda segundo a Polícia Civil, Glória foi atraída para um encontro por meio de uma mensagem no celular enviada por Nilton. No local marcado, estava estacionado um carro de vidros escurecidos, guiado pelo PM. Desconfiada, porém, a líder comunitária negou-se a embarcar.

No veículo, estavam três traficantes, que vestiam fardas da PM. Dois deles abriram fogo, atingindo fatalmente Glória, que ainda tentou fugir. O filho da vítima, Lucas Miccas, que a acompanhava, também foi baleado, mas sobreviveu.

Além de Nilton, a DH identificou um segundo ocupante do automóvel. Trata-se do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, que teve a prisão decretada pela Justiça. Também encontra-se foragido pelo crime Rodnei de Menezes Andrades, o Baratão, que gerencia a venda de drogas na comunidade e teria dado o aval para a execução.

Ainda de acordo com a especializada, um traficante conhecido como Tribolado também estava no carro que emboscou a líder comunitária, mas a polícia não tem, até o momento, um detalhamento maior sobre sua identidade.

Policiais continuaram trabalhando

A Operação Cilada também cumpriu, nesta terça-feira, nove mandados de condução coercitiva, bem como outros nove de busca e apreensão, contra agentes que eram do 16º BPM quando Glória foi assassinada (um oficial e oito praças). Desses, pelo menos dois ainda atuam no mesmo batalhão, mesmo após denúncias sobre o envolvimento de policiais no crime darem início a uma investigação da Corregedoria da PM.

Segundo a DH, parte dos policiais ouvidos nesta terça pela especializada estava em um grupo de agentes transferidos do 16º BPM no início de maio, dias depois de uma ação da PM na Cidade Alta resultar na apreensão de 32 fuzis, além de 40 prisões. Na ocasião, a própria corporação confirmou a suspeita de que os policiais haviam favorecido uma das duas facções que brigam pelo controle da venda de drogas na comunidade.

07/06/2017

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