‘Haja Coração’ chega ao final com saldo positivo

366b0fdec739ff2abeb55013f1131c37

Ok, é fácil bancar o “engenheiro de obra pronta” para explicar o sucesso de ‘Haja Coração’, mas sejamos sinceros: a principal régua para se medir o êxito de um programa é a sua audiência (sim, as medições de audiência podem ser contestáveis, mas é o que temos para o momento). E nesse quesito a novela das 19h, que amanhã terá o seu último capítulo, foi muito bem: uma média de 29 pontos (dados de setembro), colocando-a como folhetim de melhor desempenho desde 2012, quando ‘Cheias de Charme’ teve uma média de 30 pontos.

E qual é o segredo do sucesso de ‘Haja Coração’? Bem, basicamente não há segredo. A novela de Daniel Ortiz seguiu uma receita básica, com enredos românticos, drama e núcleo cômico ao melhor estilo do horário. É verdade que havia um bom esqueleto para a trama, já que era inspirada – basicamente uma releitura, embora o autor o negue – em ‘Sassaricando’, de Silvio de Abreu (não à toa seu título em Portugal é ‘Sassaricando: Haja Coração’).

Houve uma mexida aqui, outra atualizada acolá, mas a estrutura do enredo e os personagens foram mantidos. O fato é que a releitura acabou funcionando por, digamos vias tortas. Enquanto o triângulo amoroso dos protagonistas Tancinha (Mariana Ximenes), Apolo (Malvino Salvador) e Beto (João Baldasserini) não engrenava, um par romântico secundário, formado por Shirlei (Sabrina Petraglia) e Felipe (Marcos Pitombo) acabou se tornando o xodó dos espectadores – a ponto de batizarem o casal como “Shirlipe”.

A escolha do elenco também foi feliz na química do seu núcleo humorístico, com Tatá Werneck, Gabriel Godoy, Cláudia Jimenez, Marcelo Médici e Grace Gianoukas de um lado e Carolina Ferraz, Malu Mader e Ellen Rocche do outro. Ellen, por sinal, foi uma das boas surpresas da novela, que trouxe para os núcleos secundários uma turma escolada em séries de TV e na comédia de palco em um horário majoritariamente frequentado por atores dos segundos e terceiros escalões da Globo.

Em sua reta final ‘Haja Coração’ ganhou tintas mais dramáticas (para não dizer trágicas), com Fernanda Vasconcellos (Bruna) encarnando uma Kathy Bates e Jayme Matarazzo (Giovanni) fazendo as vezes de James Caan em ‘Louca Obsessão’ (excelente filme; se não assistiu, procure). Por outro lado, esse drama acabou exigindo certo grau de desempenho que expôs a fragilidade de alguns atores em vários núcleos, mas nada que comprometesse mais do que o esperado.

‘Haja Coração’ chega ao fim como grata surpresa e um alívio para a Globo, que há tempos vive uma roleta russa em suas produções, sem ter a mínima ideia se terá nas mãos uma uma ‘Cheias de Charme’ ou uma ‘Geração Brasil’. O bom resultado também pode ter outras implicações: é possível que, em futuro próximo, a emissora invista em outras releituras do mesmo naipe. Esperemos para ver.

 

Yahoo

07/11/2016

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *