Aposentados temem perder 30% da renda, e funcionários da ativa sofrem com futuro incerto no Rio

Aposentados temem perder 30% da renda, e funcionários da ativa sofrem com futuro incerto no Rio

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As contas espalhadas pela mesa, a pilha de remédios e a cara de preocupação da professora aposentada Soneli Antunes, de 68 anos, são o retrato da crise pela qual passa o Estado. Apreensiva com as notícias sobre o possível aumento da alíquota de contribuição para os aposentados, que pode diminuir até 30% dos vencimentos, Soneli vê sua vida financeira desmoronar. Ela confessa que, com o desconto de três consignados e dívida que já supera R$ 4 mil no cartão de crédito, não tem conseguido manter as contas em dia.

– Eu não sei o que vou fazer para viver. Meu salário líquido é de R$ 2.500 e cerca de mil vai para o pagamento de empréstimos e compra de remédios. O que o Estado faz é uma grande covardia – desabafa.

Na outra ponta da crise estão os servidores da ativa. Na Fundação Centro Estadual de Estatística, Pesquisas do Estado do Rio (Ceperj), que pode ser extinta, o clima é de apreensão.

– Os trabalhadores temem ficar sem trabalho e reclamam da falta de informação. Quem trabalha aqui vê o clima de tensão – conta o presidente da Associação dos Servidores da Ceperj, Alberto dos Santos Filho.

Prestes a se aposentar, a auxiliar de enfermagem Maria Casanova, de 66 anos, lamenta enfrentar esta crise:

– Trabalho há 27 anos no Hospital estadual Getúlio Vargas. O governo está matando os trabalhadores. Tive que passar o chapéu para conseguir comprar remédio. Em alguns dias, farei uma cirurgia. Não sei como será minha situação depois. O que o Pezão está fazendo conosco é uma ingratidão. No hospital, cancelaram cirurgias, não tem seringa e materiais essenciais. Exigimos que o Sérgio Cabral devolva o dinheiro do povo, que gastou com um anel – diz.

– O governo está cobrando do servidor público o preço pela incompetência dele mesmo. Estou com o aluguel e a conta do cartão atrasados. Tenho que sustentar dois filhos pequenos. É impossível continuar assim. Como pararam de pagar as empresas terceirizadas, as unidades da Faetec estão sem limpeza. Os banheiros ficam imundos. Cada diretor está trabalhando com o pouco que sobrou. Para os professores, não tem sequer um cafezinho – diz Luiz Eduardo Ferreira, Coordenador do sindicato da Faetec, de 46 anos

– Se nada for feito, as delegacias vão parar. Não há papel, manutenção em impressoras e até limpeza. Em muitas unidades, os policiais civis fazem “vaquinha” para comprar produtos de limpeza. A falta de manutenção no sistema de informática já afeta o banco de dados. O governo esquece que, ao mexer nos salários, mexe com a dignidade dos policiais, que são pais de família. Não vamos aceitar que o Estado nos torne sócios da crise, que não ajudamos a construir – afirma Rafael Barcia, Presidente do Sindicato dos Delegados do Estado.

extra

08/11/2016

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