Alunos ocupam prédio da UFPR; professores fazem cordão para evitar conflito

Alunos ocupam prédio da UFPR; professores fazem cordão para evitar conflito

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Estudantes contrários e favoráveis à ocupação do edifício histórico da UFPR (Universidade Federal do Paraná), na praça Santos Andrade, centro de Curitiba, se aglomeraram nas escadarias do prédio na manhã desta sexta-feira (4).

O edifício, onde funcionam os cursos de direito, psicologia e artes, foi ocupado nessa quinta (3) à noite –mesmo dia em que a Justiça autorizou a reintegração de posse dos 44 colégios estaduais que seguem tomados por estudantes secundaristas. Em entrevistas à imprensa local, houve relatos de que a ocupação teria sido violenta; alunos de direito dizem ter ficado retidos no prédio, e uma teria sido ferida.

O juiz federal Sergio Moro, coordenador da operação Lava Jato na primeira instância, dá aulas no prédio às terças à noite –a pauta da ocupação, entretanto, não tem relação com a operação.

A entrada principal do prédio foi fechada a corrente e cadeado pelos manifestantes. Do lado de fora, um pequeno grupo de estudantes favoráveis à ocupação se colocou em frente à porta. Eles ficaram separados de dezenas de estudantes de direito por um grupo de professores do curso, que disse estar ali para “distensionar o ambiente”.

“[Os ocupantes] São umas 70 pessoas, majoritariamente estudantes da UFPR. Eu diria que uns 5% deles são estudantes secundaristas”, disse o professor Sandro Lunard, que entrou ontem e hoje no edifício ocupado. “Conseguimos negociar um fluxo mínimo de servidores para dentro do prédio [onde há laboratórios e também funcionam setores administrativos da universidade] e pedimos a eles que explicitem uma pauta de reivindicações.”

“Não foi uma ocupação, foi uma invasão”, criticou o aluno de direito Gustavo Dal Cortino. “Estávamos em aula, quando chegaram pessoas mascaradas, com atitude agressiva. Fomos obrigados a sair em fila indiana. E, já do lado de fora, chamados de fascistas, quando foram eles quem nos impediram o direito de ir e vir. Nos chamaram de playboys, sem sequer nos conhecer. Eu vim da escola pública, ando de ônibus. Eles ocuparam o prédio antes que pudéssemos votar qual nossa posição”, completou.

“Estamos constituindo comissão que se reúne à tarde para [planejar a] primeira aproximação com os estudantes. Queremos uma saída [dos ocupantes] o mais rápido possível. O objetivo da ocupação, que é dar visibildade à pauta, já foi alcançado”, disse, à tarde, o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, à rádio CBN.

“Nos surpreendeu muito a violência [da ocupação, feita por] jovens encapuzados, que nem sabemos se são estudantes, que retiveram durante algum tempo professores e estudantes. Eu aposto no diálogo. Mas, como gestor, temos que estar preparados para fazer valer a ordem. Na segunda-feira, faremos nova avaliação”, falou.

O prédio histórico não é o primeiro campus da UFPR a ser ocupado –há manifestantes também nos edifícios em que funcionam cursos do setor de Humanas e no Centro Politécnico. Em todo o país, mais de 100 unidades federais estão ocupadas em protesto contra a proposta de emenda constitucional que cria um teto para os gastos públicos. De acordo com Lunard, os ocupantes do edifício histórico dizem que sua pauta está alinhada à das demais manifestações.

Clima “muito tenso”

A maior parte dos estudantes que protestaram contra a ocupação é do curso de direito. Eles reclamam que o movimento atropelou o calendário proposto pelo centro acadêmico, que marcou votação sobre uma possível greve contra a PEC do teto –que poderia, por sua vez, avalizar uma ocupação do prédio histórico– para a próxima segunda-feira (7).

“O clima é muito tenso”, admitiu Luis Machado, secretário do centro acadêmico Hugo Simas. “Repudiamos qualquer ato violento”, disse. Para ele, a ocupação não é legítima, pois não esperou pelo resultado da votação entre os estudantes de direito. “Só vamos deliberar nossa posição na segunda-feira”. Enquanto concedida entrevista, ele foi questionado por diversos alunos, irritados com a ocupação, que pediam providências a respeito. “O centro acadêmico não tem poder para pedir uma desocupação”, respondia.

Em vários momentos, os grupos contrário e favorável à ocupação trocaram palavras de ordem. Ao “trabalhar e estudar” se contrapunha o “ocupar e resistir”. Nossa ideia é não deixar que as coisas passem dos limites”, falou Edson Isfer, um dos professores que permanecia em frente à entrada do prédio enquanto os grupos trocavam provocações.

Por volta do meio-dia, um grupo de professores e representantes do centro acadêmico entrou no prédio para conversar com os ocupantes. À tarde, a situação era calma em frente edifício. A maior parte dos manifestantes contrários à ocupação — que se mantém — já havia se retirado do local.

bol

04/11/2016

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